Hoje, Francinete  me deixou embasbacada com sua sabedoria. Ela disse que minha casa é como um coração enorme, pois as pessoas podem chegar a qualquer hora e sempre tem o que comer e são bem recebidas. Segundo ela, lá de onde ela vem, isso significa que, aqui, nunca vai ser lugar solitário, vazio ou escasso de comida e alegria.
Esses dois dias, estava deste lado de cá, pensando no que escrever quando Francinete me dá a inspiração de que precisava. E por quê? Por que imediatamente me lembrei do filme A excêntrica Família de Antônia. Neste filme, uma das peças do cenário é uma mesa imensa embaixo de uma árvore frondosa. Sobre a mesa é servido um grande almoço e em torno dela muitas pessoas. E Antonia? Antonia agrega pessoas de lugares diferentes, com desejos diferentes e jeitos diferentes. Com ela, é possível tornar-se aquilo que se é sem nenhum constrangimento ou cobrança. Apenas se pode ser.
Ali, portanto, não é uma família comum, pois não há restrição à chegada de ninguém assim como a representação que se tem de mãe, a de um coração grande, onde sempre cabe mais um! Eis então a diferença, os personagens dessa família, ao redor dessa mesa, não são apenas os mesmos, os familiares, mas pessoas de toda sorte: crianças, homens e mulheres sem fama que se tornam chegados pela sua estranheza e diferença. Lésbicas, crianças, mulheres com intensa capacidade para ser mãe, homens viúvos e seus filhos homens, velhos filósofos, portadores de necessidades especiais. Todos em meio à mesa de Antônia e a sua capacidade de se deixar atravessar pelas pessoas, pela natureza e pela relação vida e morte, escassez e abundância.
Lembrei de Antônia, às vésperas do dia das mães, e fiquei imaginando em como seria se pudéssemos colocar nossa mesa de refeições no meio do mundo e as pessoas de muitos lugares e cores pudessem partilhar do alimento e do amor numa intimidade dada pela fusão, pela fogueira que a quentura dos corpos é capaz de potencializar. A excêntrica família de Antônia fala de uma Babel, de uma mistura intensa de línguas, de corpos, de desejos e especialmente de uma extrema proximidade com a terra, suas ressonâncias e fusões.
Hoje, percebo, que o nosso blog acabou se tornando essa mesa, e nela, eu e a Sayô  acabamos por receber pessoas conhecidas e desconhecidas, algumas de lugares que não conhecemos, e ainda assim, tiramos as sandálias, deitamos no chão, acendemos a fogueira e nos deleitamos com todos chegados, estranhos e trastes... (Escrito, em 2005, na proximidade do dias das mães pela Shara Jane).

Meu presente para Sayô:

No seu aniversário, Artes (com)trastes e traquinagens se firma possibilitando a invenção de nós mesmos ao transformar nossos corpos: dos que chegam e especialmente o de Sayô que se criou poeta e avivou ainda mais sua alegria. Traquina, ela sobe na cerca e perfila os seus sonhos mostrando-se e se anunciando outra.

Beijos de Shara, em dias de chuva, em maio de 2006.

Escrito por Sayô & Shara às 10h42


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Escrito por Sayô & Shara às 08h23


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Escrito por Sayô & Shara às 07h33


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Escrito por Sayô & Shara às 08h10


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Escrito por Sayô & Shara às 08h40


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Escrito por Sayô & Shara às 09h35


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Escrito por Sayô & Shara às 09h06


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Escrito por Sayô & Shara às 10h27


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GILBERTO GIL no fim de uma visita feita a Manoel de Barros diz :

- Onze horas no lombo das águas. Linda essa idéia. Uma coisa que não

esquecerei nunca. Li hoje num de seus livros essa metáfora. Isso me

rememorou a infância quando eu fazia a travessia de barco na Baía de

Todos os Santos. Exatamente no lombo das águas, o casco do barco

batendo nas ondas o tempo todo e aquela sensação de estar montado

em alguma coisa. Mas só quem lembra disso são os poetas profundos.

Eu nunca tinha lido isso em outro lugar. Eu tenho isso na minha própria

dimensão interior. Mas nunca tinha escrito, nunca tinha me dado de que

navegar pode ser também andar no lombo das águas. Naquele dia,

naquele rio a musa disse isso a ele. A poesia é dona de si mesmo.


 O ministro tem que vadiar mais. Tem que arrumar ócio, diz Manoel.

- Depois que o presidente me mandar pra casa. Se eu for disser por

aí que você está me recomendando ócio, vai todo mundo comentar:

o quê?!! O Manoel está pedindo ao ministro pra trabalhar menos.

Aí, Manoel, você vai ter que se explicar com o presidente. Já pensou?

 

Pra conferir a entrevista toda,eh soh clicar no link abaixo.Beijos, Sayô. 

http://www.cultura.gov.br/noticias/noticias_do_minc/index.php?p=9166&more=1&c=1&pb=1

Escrito por Sayô & Shara às 09h12


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Escrito por Sayô & Shara às 08h11


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Escrito por Sayô & Shara às 10h21


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Escrito por Sayô & Shara às 15h25


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Escrito por Sayô & Shara às 14h54


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Escrito por Sayô & Shara às 09h09


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Dedico o post de hoje à minha irmã Shara, que com sua sabedoria me apresentou

 o Homem de Barros - MANOEL DE BARROS. Nunca vou esquecer desse encontro.

Num SARAU,  no terraço da casa dela,  com almofadas e mantas espalhadas pelo chão,

 uma lua linda e um VARAL DE POESIAS. E ela lendo MANOEL DE BARROS...

Obrigada Shara!

Você não tem noção o quanto consegues transferir à minha pessoa

a poesia que existe em você. A cada encontro nosso, a cada abraço,

a cada fala sua à minha direção, a cada visita à sua casa...

Você reacendeu a poesia na minha vida. Tens noção da responsa disso hein ?

rsrsrsrs

Te amo bem grande. Sayô

Escrito por Sayô & Shara às 09h29


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Escrito por Sayô & Shara às 07h08


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Tem chovido muito em Teresina. E geralmente a chuva cai e leva a luz,deixando Teresina um breu.                Em uma dessas "chuvas sem luz", a noite,eu estava em casa com Amandinha.

Resolvemos deitar e ficar curtindo a chuva, no escuro.
Daí eu falei :
Amandinha vc tá escutando ?
E ela respondeu_perguntando :
Escutando o q mãe? Tirando nossas vozes, só tem o barulho do silêncio.
Daí eu complementei: Exatamente filha eh desse barulho que estou me referindo, ele me incomoda.
Dai ela disse: Taí mãe uma frase ótima pra senhora colocar no teu blog
O BARULHO DO SILÊNCIO ME INCOMODA ! 
Quase mato de cheirar, apertar e beijar essa minha pequena de 9 anos que enxerga a poesia,                     no escuro enquanto a chuva caia.

Escrito por Sayô & Shara às 08h47


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Escrito por Sayô & Shara às 09h55


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Escrito por Sayô & Shara às 09h22


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Escrito por Sayô & Shara às 07h15


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Escrito por Sayô & Shara às 08h39


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:: Marisa Monte :: O rio ::

As artes compartilhadas conosco através dos comentários só serão publicadas após nossa aprovação. Beijos! Sayô & Shara

Nós, Sayonara e Shara, resolvemos criar um blog que fale mais da vida, das relações entre as pessoas,das questões que envolvem o nosso mundo,especialmente sobre a poesia,a música, a dança...
Queremos falar das coisas cotidianas, das nossas coisas, não para falar do mundo privado pelo mundo privado, como no Big Brother Brasil, mas para falar das coisas que façam as pessoas olharem para o mundo externo, aquele que nos provoca, nos faz pensar e nos mobiliza a olhar para nós mesmos.
A arte com singularidade nos possibilita isso, sair de si e entrar no universo de múltiplos e intensos contrastes dos outros. Assim, a proposta é que 'trastes' de todo tipo invadam o nosso blog e proliferem as traquinagens que fertilizam os nossos corpos alegres, dançantes, embriagados.
Artes (com) trastes e traquinagens espera ser um agradável cantinho,para os chegados, os estranhos,os nômades e os trastes de todo tipo ou ideais.


Sejam Bem Vindos!


Sayô & Shara



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TEOLOGIA DO TRASTE

As coisas jogadas fora por motivo de traste são alvo da minha estima. Prediletamente latas. Latas são pessoas léxicas pobres porém concretas. Se você jogar uma lata por motivo de traste: mendigos, cozinheiras ou poetas podem pegar. Por isso eu acho as latas mais suficientes, por exemplo, do que as idéias. Porque as idéias, sendo objetos concebidos pelo espírito, elas são abstratas. E, se você jogar um objeto abstrato na terra por motivo de traste, ninguém quer pegar. Por isso eu acho as latas mais suficientes. A gente pega uma lata, enche de areia e sai puxando pelas ruas moda um caminhão de areia. E a idéia, por ser um objeto abstrato concebido pelo espírito, não dá para encher de areia. Por isso eu acho a lata mais suficiente. Idéias são a luz do espírito _ a gente sabe. Há idéias luminosas _ a gente sabe. Mas elas inventaram a bomba atômica, a bomba atômica, a bomba atôm.................... Agora eu queria que os vermes iluminassem. Que os trastes iluminassem.

(Manoel de Barros)



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